em você,
moro
na saudade
quando desabo
aos olhos
do morro
sorri a rua
clara a abrigar
meu suspiro
torto desço de
quem invento
em mim
que é para beber
teu corpo, isso
que batizei casa
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Leituras do Despejo
estes óculos
já não me
servem mais
já não enxergo,
porque nada posso,
aquilo que reaver
eu aniquilo algo
oblíquo que me sempre
empunhou às faltas
porque só tenho agora
o encontro com a luz
daquilo que perdi
viver pode ser só navegar
distante de onde parti;
e isso é tudo
já não me
servem mais
já não enxergo,
porque nada posso,
aquilo que reaver
eu aniquilo algo
oblíquo que me sempre
empunhou às faltas
porque só tenho agora
o encontro com a luz
daquilo que perdi
viver pode ser só navegar
distante de onde parti;
e isso é tudo
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Desajuizado
[há tempos escrevi este samba, que hoje trago ao letrafora; aos desajuizados!]
Ela não pensa não
Quanta loucura mora no seu coração
Desvanece em madrugadas
Quando sem palavras silencia seu verão
Eu me embriago então
Pelas esquinas, malabares, multidão
Me esparramo nas calçadas
Torto e resolvido, grito em voz de batalhão
Não quero mais ciranda, simplesmente (Refrão 2x)
Cansei de entorpecer meu coração
Eu fico aqui calado e de repente
O amor vai me esquecer na solidão
Ela se perde então
Em labirintos pulsa o seu coração
Da janela escancarada
Grita o meu nome e se lança à procissão
Eu desconjuro irmão
Porque o desejo volta feito furacão
Na avenida eu disparo
Desajuizado, abraçado à ilusão
Não quero mais ciranda, simplesmente (Refrão 2x)
Cansei de entorpecer meu coração
Eu fico aqui calado e de repente
O amor vai me esquecer na solidão
Ela não pensa não
Quanta loucura mora no seu coração
Desvanece em madrugadas
Quando sem palavras silencia seu verão
Eu me embriago então
Pelas esquinas, malabares, multidão
Me esparramo nas calçadas
Torto e resolvido, grito em voz de batalhão
Não quero mais ciranda, simplesmente (Refrão 2x)
Cansei de entorpecer meu coração
Eu fico aqui calado e de repente
O amor vai me esquecer na solidão
Ela se perde então
Em labirintos pulsa o seu coração
Da janela escancarada
Grita o meu nome e se lança à procissão
Eu desconjuro irmão
Porque o desejo volta feito furacão
Na avenida eu disparo
Desajuizado, abraçado à ilusão
Não quero mais ciranda, simplesmente (Refrão 2x)
Cansei de entorpecer meu coração
Eu fico aqui calado e de repente
O amor vai me esquecer na solidão
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Tanto que
ali o sol dava
um grito de
escuridão
paria as noites
onde o segredo
das esquinas
mergulhava nas
covas de cada
rosto assustado
mas nunca foi ele
a desenterrar quaisquer
mentiras de si
nem suas verdades
lhe reverteram
angústias
como se só luz
estivesse deitada
nos riachos
em que a gente
costuma pescar ilusão
um grito de
escuridão
paria as noites
onde o segredo
das esquinas
mergulhava nas
covas de cada
rosto assustado
mas nunca foi ele
a desenterrar quaisquer
mentiras de si
nem suas verdades
lhe reverteram
angústias
como se só luz
estivesse deitada
nos riachos
em que a gente
costuma pescar ilusão
Diário de um torto
a mãe pariu abelhas
e aquilo que nunca
soube voar
viveu os tempos
no mato
a beliscar bichos
e assustar gente
zunia aquela caixa
na sua cabeça
que nunca foi nada
se não um
exército de tempos
a fazerem dó
os seus caminhos
e suas madrugadas
viveu seu corpo
frágil, marcado das
modas de seus ferrões
e passou liso e seco
raspado dos doces
sem nem não
conhecer rainhas
e aquilo que nunca
soube voar
viveu os tempos
no mato
a beliscar bichos
e assustar gente
zunia aquela caixa
na sua cabeça
que nunca foi nada
se não um
exército de tempos
a fazerem dó
os seus caminhos
e suas madrugadas
viveu seu corpo
frágil, marcado das
modas de seus ferrões
e passou liso e seco
raspado dos doces
sem nem não
conhecer rainhas
domingo, 13 de setembro de 2009
12
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
então míngua a sesmaria
que sobrevivia aos laços
em uma maré sem defesos
sempre a vazar destinos seus
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
isso que bebe toda firmeza
do quanto que houve rocha
a segredar em espumas, que o vivo
só vai no incerto do que está para
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
a polir a pedra de Sísifo
e diluir as encostas
para fazer um sol na insistência
flutuante tempo a fabricar sabores
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
no novo verso desta boca
sempre velha moça desconhecida
a assoprar atalhos náufragos
desta carta que se navega a sós
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
o leito revolto e lúcido
feito a aposentar fantasias
isto tudo, sublime existência
a me ver horizonte-contrário
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
a casta que esparrama um traço
cada escolha sã que nem não conheci
o barro que me cuspiu bicho
as mãos do povo que concebeu
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
água que bebe a terra que ergui
sempre que encerra o tempo que tive
canto que abraça o grito que dei
e este que vem naquilo que fui
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
então míngua a sesmaria
que sobrevivia aos laços
em uma maré sem defesos
sempre a vazar destinos seus
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
isso que bebe toda firmeza
do quanto que houve rocha
a segredar em espumas, que o vivo
só vai no incerto do que está para
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
a polir a pedra de Sísifo
e diluir as encostas
para fazer um sol na insistência
flutuante tempo a fabricar sabores
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
no novo verso desta boca
sempre velha moça desconhecida
a assoprar atalhos náufragos
desta carta que se navega a sós
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
o leito revolto e lúcido
feito a aposentar fantasias
isto tudo, sublime existência
a me ver horizonte-contrário
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
a casta que esparrama um traço
cada escolha sã que nem não conheci
o barro que me cuspiu bicho
as mãos do povo que concebeu
Amanhã, nó-dia, gente senhores
está a trigésima sétima onda
que torna a devolver o mar
água que bebe a terra que ergui
sempre que encerra o tempo que tive
canto que abraça o grito que dei
e este que vem naquilo que fui
Sobre o...
Escrevo a tapas
foice a descer
palavras
[dirrisso
coiceio
esperneio]
a lápis grosso
quebra-pedras
na minha boca
[descalo
arregaço
chumbo]
porque os silêncios
são os olhos
da gente
quando há medo
no enxergar
[galopo
espanto
escarro]
que é a desarrolhar
o estradão dos poemas
foice a descer
palavras
[dirrisso
coiceio
esperneio]
a lápis grosso
quebra-pedras
na minha boca
[descalo
arregaço
chumbo]
porque os silêncios
são os olhos
da gente
quando há medo
no enxergar
[galopo
espanto
escarro]
que é a desarrolhar
o estradão dos poemas
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